O mercado salvou o Brasil: coluna de Vinicius Torres Freire


“A taxa real de juros cai de novo abaixo de 3% ao ano nestes dias em que Michel Temer tenta dar sobrevida a seu governo de popularidade 3%. O país talvez volte a crescer, depois de três anos regressivos. Apesar de enxovalhado e desprezado pelo país quase inteiro, mantém maioria no Congresso e sua regência é tolerada pelos donos do dinheiro. Não querem mais bagunça. Enfim, no que lhes interessa, o governo Temer não parou de todo, apesar de alguns becos sem saída e de bombas que ficarão para explodir em 2019, por aí.

Sim, a reforma da Previdência é improvável. Até a aprovação de remendos dos deficit do governo é incerta no Congresso. Mas, além do pacotão de reformas aprovado até o caso Temer-Joesley, em maio, o governo continuou a ‘entregar’, como diz o pessoal dos negócios. Teve reforma trabalhista e enxugamento do BNDES, com o fim dos juros subsidiados. Vai passar o cadastro positivo do crédito, entre outras mudanças na área.

Estão no forno uma reforma liberalizante do setor elétrico e a privatização da Eletrobras. Haverá esforço de aprovar alguma simplificação tributária, que não será uma reforma (…).

Tudo isso em apenas ano e meio, feito por um governo de políticos zumbis à porta da cadeia, que nada entendem de economia, sob protetorado da coalizão liberal e dos donos do dinheiro e nenhum outro apoio. Por vias tortas, é histórico.”
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